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Pensatas sobre migração e refúgio na infância e adolescência

Por Fernanda Paraguassu

Gaza: o que o cessar-fogo traz para as crianças

por | out 13, 2025 | viu isso? | 0 Comentários

Foto: @UNICEF/UNI820856

Durante quase dois anos de guerra, a Faixa de Gaza se tornou um dos lugares mais perigosos do mundo para ser criança. Escolas destruídas, hospitais colapsados e famílias desfeitas marcam a paisagem.

O fim das hostilidades abre uma janela crítica para salvar vidas: permitir a entrada de ajuda, tratar a desnutrição e reativar serviços básicos. Mas o silêncio das bombas não apaga o trauma de uma geração inteira. Milhares de crianças enfrentarão orfandade, ferimentos, atraso escolar e danos emocionais que exigem resposta imediata e contínua.

Uma infância interrompida

Segundo o UNICEF e a Save the Children, dezenas de milhares de crianças foram mortas ou feridas desde o início do conflito. Centenas de milhares vivem deslocadas, em abrigos improvisados, sem água potável, comida ou cuidados médicos. A UNRWA alerta que mais de 54 mil menores de cinco anos sofrem de desnutrição aguda, e muitos correm risco de morte sem tratamento urgente.

O que o fim da guerra pode trazer

Com o cessar-fogo, agências humanitárias podem enfim entrar em Gaza com alimentos, vacinas e medicamentos.
É uma oportunidade de salvar milhares de vidas em poucos dias, mas só se o acesso for pleno e o apoio internacional rápido. Sem isso, a janela se fecha e a crise volta a se aprofundar.

A reconstrução será longa: escolas, hospitais e famílias precisam ser reerguidos, mas também a confiança, a rotina e a infância perdida. Cada criança precisa de tempo, cuidado e espaço para se curar.

O desafio que vem depois

Mesmo sem combates, a emergência humanitária continua. A falta de saneamento e água limpa ameaça provocar surtos de doenças. A fome, já classificada como catastrófica em algumas áreas, pode se agravar se a ajuda for interrompida.

A paz verdadeira dependerá de mais do que um cessar-fogo. Será medida em gestos simples: uma refeição quente, um caderno novo, o reencontro com a família. O mundo tem a responsabilidade de garantir que o fim da guerra não seja apenas o fim do barulho das bombas, mas o início de uma nova chance de vida.

@UNICEF

Veja o que representa o fim da guerra em um horizonte temporal:

Imediato (primeiras semanas)

  • Janela de salvamento: entrega de alimentos, suplementos nutricionais, insumos médicos, água e combustível. Isto pode reduzir mortes por fome e falta de cuidados médicos imediatos. As agências pedem acesso “sem impedimentos” para evitar novas mortes.
  • Proteção: reunificação de crianças separadas das famílias, abrigos seguros e triagem de menores não acompanhados.

Curto/médio prazo (meses)

  • Tratamento e recuperação: programas massivos de nutrição (tratar crianças severamente desnutridas), reabilitação de feridos (incluindo cirurgias e próteses), vacinação e retomada gradual dos cuidados primários.
  • Saúde mental e educação: intervenções psicossociais, espaços amigáveis para crianças, retomada parcial das escolas. São essenciais para conter efeitos de trauma e permitir retorno à rotina.

Longo prazo (anos)

  • Consequências permanentes: órfãos, deficiências físicas e cognitivas relacionadas à desnutrição e trauma, perda de geração escolar (impacto no capital humano). A reconstrução de casas, infraestrutura escolar e serviços públicos exigirá coordenação internacional e financiamento sustentado.

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