Imagem: Global Trends 2025 / Acnur
Por Fernanda Paraguassu
As crianças continuam sendo um dos grupos mais afetados pelas crises humanitárias globais. De acordo com o Global Trends 2025, divulgado pelo ACNUR, no ano passado havia cerca de 16,2 milhões de crianças refugiadas ou em necessidade de proteção internacional, o equivalente a 39% da população refugiada mundial. Além disso, mulheres e meninas representam metade de todos os refugiados do planeta.
Outro dado alarmante mostra que mais de 2,4 milhões de crianças nasceram em situação de refúgio entre 2018 e 2025, uma média de 305 mil por ano.


Deslocamento forçado diminui pela primeira vez em uma década
Ao final de 2025, o mundo registrava 117,8 milhões de pessoas deslocadas à força, uma queda de 4% em relação ao ano anterior. Ainda assim, a crise permanece em níveis historicamente elevados. Desse total, 41,6 milhões eram refugiados, o que representa cerca de 35% de toda a população deslocada globalmente. Já os deslocados internos forçados somavam 68,7 milhões de pessoas, ou cerca de 58% do total mundial.
Mais de 70% dos refugiados e pessoas que necessitam de proteção internacional vêm de apenas seis países:
- Afeganistão
- Sudão do Sul
- Sudão
- Síria
- Ucrânia
- Venezuela
Essas crises prolongadas seguem impulsionando o deslocamento forçado em larga escala no mundo.
A Venezuela permanece entre os principais países de origem de refugiados e solicitantes de asilo. Em 2025, venezuelanos realizaram cerca de 305 mil novos pedidos de proteção internacional. A Colômbia é o principal país de acolhida da população venezuelana, com cerca de 2,8 milhões de refugiados e pessoas em necessidade de proteção internacional.
No Brasil, foram registrados 75,6 mil pedidos de asilo em 2025, um aumento de 11% em relação ao ano anterior, em grande parte relacionados aos fluxos migratórios da região.
Os principais países de acolhida em 2025 foram:
- Colômbia – 2,8 milhões
- Alemanha – 2,7 milhões
- Turquia – 2,4 milhões
- Uganda – 1,9 milhão
- Irã – 1,7 milhão
- Chade – 1,5 milhão
- Paquistão – 1,3 milhão
Esses dados mostram que a maior parte dos refugiados permanece em países vizinhos às suas regiões de origem.
Retornos aumentam, mas em condições difíceis
Em 2025, mais de 14,7 milhões de refugiados e deslocados internos retornaram aos seus locais de origem, um dos maiores números já registrados.
No entanto, muitos retornos ocorreram em contextos frágeis, com insegurança, destruição de infraestrutura e falta de serviços básicos, especialmente em países como Afeganistão, Síria, Sudão e República Democrática do Congo.
Embora milhões de pessoas tenham retornado em 2025, a reintegração continua sendo extremamente difícil. Em países como Afeganistão e Síria, muitas famílias retornadas enfrentam casas destruídas, falta de emprego, acesso limitado à saúde e serviços básicos e infraestrutura comprometida após anos de conflito.
As crianças estão entre as mais afetadas. No Afeganistão, famílias retornadas relatam maior dificuldade de acesso à educação do que aquelas que permaneceram no país. A situação é ainda mais grave para as meninas: menos da metade delas afirma ter o mesmo acesso à escola que outras crianças. Na Síria, crianças retornadas enfrentam risco elevado de abandono escolar e trabalho infantil, além de dificuldades para retomar a rotina em áreas com serviços públicos enfraquecidos.
Mulheres e meninas também enfrentam barreiras adicionais. Famílias chefiadas por mulheres têm menos acesso a renda e oportunidades econômicas. Na Síria, meninas relatam restrições de mobilidade e maior exposição à violência baseada em gênero. No Afeganistão, apenas cerca de um quarto das mulheres retornadas consegue gerar renda, contra dois terços dos homens.
A insegurança alimentar permanece crítica. No Afeganistão, mais de quatro em cada cinco famílias retornadas disseram ter precisado pular refeições, enquanto mais de um terço relatou não conseguir acessar serviços médicos nos últimos seis meses. Esses dados mostram que o retorno só pode ser considerado uma solução duradoura quando acompanhado de investimentos em moradia, educação, saúde, proteção e geração de renda, com atenção especial a crianças, meninas e mulheres.
Tendências para 2026
Apesar da redução observada em 2025, novas crises continuam mantendo o deslocamento forçado em níveis elevados. Conflitos recentes no Oriente Médio e outras regiões já provocaram novos deslocamentos em larga escala.
Segundo estimativas da ACNUR, o total global de pessoas deslocadas à força permanece entre 117 e 118 milhões, indicando que a crise humanitária global segue longe de ser resolvida.
Resumo dos principais números
- 16,2 milhões de crianças refugiadas ou em necessidade de proteção internacional
- 39% dos refugiados são crianças
- 50% são mulheres e meninas
- 2,4 milhões de crianças nasceram em situação de refúgio (2018–2025)
- 117,8 milhões de pessoas deslocadas à força
- 41,6 milhões de refugiados (35% do total)
- 68,7 milhões de deslocados internos
- 70% dos refugiados vêm de 6 países (Afeganistão, Sudão do Sul, Sudão, Síria, Ucrânia e Venezuela)
- 75,6 mil pedidos de asilo no Brasil em 2025

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